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Electrification driven by simulation: como a simulação computacional pode impulsionar projetos de eletrificação

Automotivo Ensino & Pesquisa Simulation Technology

A eletrificação deixou de ser uma tendência futura para se tornar uma realidade presente em diversos setores da economia. Da mobilidade elétrica às energias renováveis, passando por sistemas industriais, infraestrutura de carregamento e dispositivos eletrônicos cada vez mais eficientes, o desenvolvimento de tecnologias eletrificadas tem avançado em ritmo acelerado.

Ao mesmo tempo, os desafios de engenharia envolvidos nesses projetos tornaram-se significativamente mais complexos. O aumento da densidade de potência, as exigências de eficiência energética, as restrições térmicas e os requisitos regulatórios criam um cenário em que abordagens tradicionais de desenvolvimento nem sempre são suficientes para garantir ciclos rápidos de inovação.

Nesse contexto, a simulação computacional vem assumindo um papel cada vez mais estratégico. Mais do que validar projetos, ela permite explorar conceitos inovadores, compreender a interação entre diferentes fenômenos físicos e reduzir incertezas antes mesmo da construção dos primeiros protótipos.

Da pesquisa ao desenvolvimento tecnológico

Modelos analíticos continuam sendo fundamentais para a engenharia moderna, fornecendo a base teórica para compreender os fenômenos envolvidos e orientar as primeiras etapas de um projeto. Entretanto, à medida que os sistemas eletrificados evoluem, a interação entre diferentes fenômenos físicos torna sua representação por modelos simplificados cada vez mais desafiadora.

Nesse contexto, a simulação computacional complementa as abordagens tradicionais ao integrar diferentes domínios físicos em um fluxo multifísico. Dessa forma, torna-se possível avaliar simultaneamente o comportamento eletromagnético, térmico, mecânico e elétrico dos sistemas, obtendo uma visão mais completa do seu desempenho.

Mais do que uma ferramenta de validação, a simulação amplia as possibilidades de investigação ao permitir explorar novas arquiteturas, realizar estudos paramétricos e analisar rapidamente diferentes hipóteses de projeto antes da construção dos primeiros protótipos.

O desafio dos motores elétricos de nova geração

Poucas áreas refletem tão bem o avanço da eletrificação quanto o desenvolvimento de motores elétricos. A busca por máquinas mais eficientes, compactas e sustentáveis tem impulsionado pesquisas em novas topologias, materiais magnéticos avançados e arquiteturas inovadoras, incluindo motores de fluxo axial, configurações com ímãs permanentes de geometria não convencional e conceitos voltados para a eletrificação de powertrain.

Nesse cenário, a simulação computacional amplia significativamente o espaço para inovação ao permitir investigar conceitos que muitas vezes ainda não possuem protótipos físicos ou metodologias de projeto consolidadas. Diferentes geometrias, materiais, estratégias de controle e condições de operação podem ser explorados de forma sistemática, acelerando a avaliação de novas ideias e ampliando as possibilidades de investigação.

Além da exploração de novas arquiteturas, modelos de alta fidelidade tornam possível investigar efeitos de saturação magnética, características não lineares dos materiais, perdas induzidas em componentes condutores e o acoplamento entre diferentes fenômenos físicos. À medida que novas topologias são propostas e os requisitos de desempenho se tornam mais ambiciosos, compreender essas interações torna-se fundamental para identificar os limites e o potencial de cada nova arquitetura.

(Figura 1 – Análise eletromagnética de motor de fluxo axial)

Eletrônica de potência: projetando sistemas cada vez mais eficientes

A eletrônica de potência ocupa uma posição central na eletrificação moderna, sendo responsável pelo controle e pela conversão de energia em aplicações que vão desde acionamentos elétricos até sistemas de armazenamento de energia e infraestrutura de recarga. A busca por equipamentos mais compactos e eficientes tem impulsionado o aumento das frequências de chaveamento, tornando cada vez mais relevantes fenômenos que afetam a confiabilidade de semicondutores e que muitas vezes não são capturados por abordagens simplificadas.

Nesse contexto, a simulação possibilita investigar como a geometria de barramentos, conexões e componentes influencia a distribuição de corrente e dos campos eletromagnéticos. Efeitos como current crowding (concentração de corrente), correntes parasitas (eddy currents), perdas adicionais em condutores e componentes metálicos, além do acoplamento eletromagnético entre diferentes partes do sistema, podem ser avaliados com elevado nível de detalhe antes mesmo da construção do protótipo.

Ao revelar esses fenômenos durante as etapas de projeto, a simulação fornece informações que dificilmente seriam obtidas apenas por medições experimentais. Esse nível de compreensão permite investigar a origem das perdas, comparar diferentes soluções construtivas e orientar decisões de projeto para o desenvolvimento de conversores mais eficientes e confiáveis.

(Figura 2 – Simulação de um transformador eletrônico)

Compatibilidade eletromagnética: da placa ao sistema completo

À medida que sistemas eletrificados se tornam mais conectados e complexos, cresce também o desafio de garantir a compatibilidade eletromagnética entre seus diversos componentes. Inversores, motores, sensores, módulos de comunicação e sistemas eletrônicos podem interagir de formas nem sempre intuitivas, tornando fundamental compreender possíveis fontes de interferência eletromagnética e seus mecanismos de propagação.

A simulação permite investigar esses fenômenos em diferentes níveis de detalhe, desde placas eletrônicas, conectores e cabeamentos até subsistemas completos, como powertrains elétricos e veículos inteiros. Dessa forma, torna-se possível avaliar como emissões conduzidas e radiadas geradas em uma parte do sistema afetam outros componentes, além de identificar caminhos de acoplamento que muitas vezes são difíceis de observar experimentalmente.

Por isso, a simulação vai além da reprodução virtual de ensaios de certificação. Ao revelar os mecanismos físicos responsáveis pelas emissões e pela suscetibilidade eletromagnética, ela fornece informações valiosas para aperfeiçoar o projeto desde suas etapas iniciais e aumentar a robustez do sistema como um todo.

(Figura 3 – Análise de distribuição de campo elétrico em placa)

Carregamento sem fio: explorando novas fronteiras da transferência de energia

O carregamento sem fio representa uma das aplicações mais desafiadoras da eletrificação moderna. Tecnologias voltadas para veículos elétricos, robótica, sistemas industriais e dispositivos eletrônicos dependem simultaneamente de elevada eficiência energética, segurança operacional e robustez frente a desalinhamentos entre transmissor e receptor.

Pequenas alterações na geometria das bobinas, na distância entre os elementos ou mesmo na presença de materiais próximos podem modificar significativamente a distribuição dos campos eletromagnéticos e, consequentemente, a potência transferida. Compreender essa interação é essencial para o desenvolvimento de sistemas capazes de operar de forma eficiente em condições reais de utilização.

A simulação oferece um ambiente no qual esses fatores podem ser analisados de forma integrada, permitindo visualizar como a energia é acoplada entre transmissor e receptor, avaliar novas arquiteturas de bobinas e investigar estratégias de compensação. Dessa forma, amplia-se a capacidade de explorar conceitos inovadores e impulsionar a evolução dessa tecnologia.

(Figura 4 – Simulação de bobinas para carregamento sem fio)

Simulação como catalisadora da inovação

A eletrificação impõe desafios que extrapolam os limites dos modelos analíticos tradicionais. À medida que novas arquiteturas, materiais e tecnologias surgem, compreender a interação entre diferentes fenômenos físicos torna-se essencial para transformar ideias em avanços tecnológicos.

Nesse cenário, a simulação computacional consolida-se como uma plataforma de inovação. Mais do que reduzir custos de desenvolvimento ou substituir protótipos físicos, ela amplia a capacidade de investigação, acelera a exploração de conceitos disruptivos e fornece informações que orientam decisões ao longo de todo o processo de desenvolvimento tecnológico.

Dos motores elétricos à eletrônica de potência, da compatibilidade eletromagnética às tecnologias de carregamento sem fio, a simulação fornece o ambiente necessário para transformar novas ideias em soluções tecnológicas, conectando pesquisa, engenharia e inovação na construção da próxima geração de sistemas eletrificados.

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Engenheiro mecatrônico formado pela Escola Politécnica da USP, com dupla diplomação pelo Politecnico di Milano. Atualmente, integra o time técnico da ESSS como Engenheiro de Aplicações CAE, especializado em eletromagnetismo de baixa frequência e máquinas elétricas rotativas, prestando suporte a grandes empresas e universidades no desenvolvimento de soluções de engenharia inovadoras.


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